quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Garota de programa


Meus pés não tinham um rumo
- vagueavam vagabundos.
Minha alma não tinha um prumo
- volúvel, vazia, flutuava
Meu corpo não tinha dono
- eu mesma não o possuía.
Mas tinha um preço.
E carregado pelas ondas da aventura
Era navio perdido, sem porto – meu corpo!
...e afundava em alcovas estranhas.
Meus seios conheceram bocas estrangeiras;
Meus lábios beijaram corpos desconhecidos;
Minha boca chupou falos de estranhos;
Mãos estranhas me apalparam;
Clientes me procuraram e me tiveram;
Homens vieram e por mim passaram;
Seres que jamais tornarei a ver.

Quando garota, o mar lambia meus pés,
Voltando agora ao local dos meus dezoito anos,
Piso a areia e o mar, reencontrando-me, vem novamente me beijar.
Mas ele não me paga por isso,
Eu que deveria retribuí-lo com meus carinhos.
Mas ele não pede.

Gemidos de prazer - neste momento - não vibram em meus ouvidos.
Agora é o silvar do vento na praia,

Por onde andou e por anda a antiga prostitutazinha.

...finalmente dona do próprio corpo,
Retorna ao lar,

Repousando na alcova das fantasias mortas da juventude.

5 comentários:

  1. ´´E minha amiga

    Você me conhece...é claro que os poemas são meus...rsrsrsr

    Vou postar mais lá...me aguarde...

    Beijos alinda e saudades

    Dri

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  2. Muito bom...adorei o texto....
    Beijão pra vc e sucesso com o Blog.

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  3. Muito obrigada Vicente!
    ...um dos meus melhores poemas.

    Ei Lu, quero colocar um poema seu no meu blog, tá ok?

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  4. Claudia gostei seus poemas......seu blog legal.....

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  5. Oi José R.

    Obrigada por visitar meu blog

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