quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Um poema da amiga "lu Dri"


Minha doce menina
Tua boca me alicia
Me enfeitiça me domina
Me entrego aos teus desejos
Te devoro por inteira
Me perco em teu corpo
Tão quente....delicioso
Me embriago em teu mel
Provo do teu veneno
Mas não quero antídoto
Quero morrer nos teus braços
Sentir o teu cansaço
E teus seios salientes em minha pele
Deixe-me afogar nos teus delirios
Nos teus beijos
Beber de tua fonte
Tão abundante e infame
Me tirando do sério
Me escravizando em tuas paixões
Não quero fugir deste cárcere
Me prendeste no laço de tua torre
Onde tu tens teu Imperio
E nele reinas absoluta....
Minha rainha....

Dri

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Garota de programa


Meus pés não tinham um rumo
- vagueavam vagabundos.
Minha alma não tinha um prumo
- volúvel, vazia, flutuava
Meu corpo não tinha dono
- eu mesma não o possuía.
Mas tinha um preço.
E carregado pelas ondas da aventura
Era navio perdido, sem porto – meu corpo!
...e afundava em alcovas estranhas.
Meus seios conheceram bocas estrangeiras;
Meus lábios beijaram corpos desconhecidos;
Minha boca chupou falos de estranhos;
Mãos estranhas me apalparam;
Clientes me procuraram e me tiveram;
Homens vieram e por mim passaram;
Seres que jamais tornarei a ver.

Quando garota, o mar lambia meus pés,
Voltando agora ao local dos meus dezoito anos,
Piso a areia e o mar, reencontrando-me, vem novamente me beijar.
Mas ele não me paga por isso,
Eu que deveria retribuí-lo com meus carinhos.
Mas ele não pede.

Gemidos de prazer - neste momento - não vibram em meus ouvidos.
Agora é o silvar do vento na praia,

Por onde andou e por anda a antiga prostitutazinha.

...finalmente dona do próprio corpo,
Retorna ao lar,

Repousando na alcova das fantasias mortas da juventude.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Um poema de Safo (Sapho)





A uma mulher amada

Ditosa que ao teu lado só por ti suspiro!
Quem goza o prazer de te escutar,
quem vê, às vezes, teu doce sorriso.
Nem os deuses felizes o podem igualar.

Sinto um fogo sutil correr de veia em veia
por minha carne, ó suave bem querida,
e no transporte doce que a minha alma enleia
eu sinto asperamente a voz emudecida.

Uma nuvem confusa me enevoa o olhar.
Não ouço mais. Eu caio num langor supremo;
E pálida e perdida e febril e sem ar,
um frêmito me abala... eu quase morro... eu tremo.

Safo
Trad. Décio Pignatari

Safo (em grego: Σαπφώ, transl. Sapphō) foi uma poetisa grega que viveu na cidade lésbia de Mitilene, ativo centro cultural no século VII a.C.. Nascida algures entre 630 e 612 a.C., foi muito respeitada e apreciada durante a Antigüidade, sendo considerada "a décima musa". No entanto, sua poesia, devido ao conteúdo erótico, sofreu censura na Idade Média por parte dos monges copistas, e o que restou de sua obra foram escassos fragmentos. (Wikipedia)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O catecismo de Carlos Zéfiro


"Carlos Zéfiro é o pseudônimo do funcionário público brasileiro Alcides Aguiar Caminha com o qual ilustrou e publicou, durante as décadas de 50 a 70, histórias em quadrinhos de cunho erótico que ficaram conhecidas por "catecismos".
Carioca boêmio, ilustrou e vendeu cerca de 500 trabalhos desenhados em preto e branco com tamanho de 1/4 de folha ofício e de 24 a 32 páginas que eram vendidos dissimuladamente em bancas de jornais, devido ao seu conteúdo porno-erótico, ficando conhecidos como "catecismos" e chegaram a tiragens de 30.000 exemplares.
Em 1970, durante a ditadura militar, foi realizada em Brasília uma investigação para descobrir o autor daquelas obras pornográficas que chegou a prender por três dias o editor Hélio Brandão, amigo do artista, mas que terminou inconclusa."
(Wikipedia)




No quarto











domingo, 6 de dezembro de 2009

O mal era fêmea, no Brasil do século 19.

A mulher era o disfarce do diabo no século 19, faceiras e hipnotizadoras, levavam os homens à perdição, à luxúria.
Malvadas!!!!!!
Raul Pompeia ironiza a fé igrejista no seu romance "O Ateneu".





“Comecei a achar a religião de insuportável melancolia. Morte certa, hora incerta, inferno para sempre, juízo rigoroso; nada mais negro!
(...)
Soavam-me ainda aos ouvidos as prédicas de ascetismo do Barreto. Para ele o mal era fêmea. O Sanches entendia que era macho. Amarrava-lhe um rabo ao cóccix e criava o Satanás bilontra, imoral e alegre. A cauda do demônio do Barreto era de rendas. Na Rua do Ouvidor, faria o Satanás – fanfreluche. Uma coisa horrível, com dois olhos, destinados a perdição dos homens. Saia digna de consideração, só a de padre, que, por sinal, é batina, não é saia. O mais não passava de pretexto da moda parisiense para disfarçar o pé de cabra. Cuidado com Satanás sorriso! um sorriso com duas pernas, um abraço com dois seios, uma pantomima do inferno, faceira, traidora, graciosa e comburente... O menor descuido, desgraça eterna!
Contou-me que o porteiro do seminário em que estivera, para não ser demitido, fora intimado a separar-se da própria irmã. Deus, para vir ao mundo, tinha severamente elaborado o mistério excepcional de uma virgindade sem mancha. E, se não fossem as profecias, que não podiam ficar comprometidas, o veículo a Conceição, por amor da insexual pureza, teria sido o carapina José, ou mesmo o velho Zacarias, ainda mais respeitável pela calva.
A teologia do Barreto me calara fundo, e eu resolvera piedoso enxotar quanta imagem de sorriso viesse pousar-me à idéia. Virando a página dos fervores, a teoria ficou-me de resto, do Satanás feminino.”
(O Ateneu – cap. 05 de Raul Pompéia