terça-feira, 21 de julho de 2009

terça-feira, 14 de julho de 2009

A Meretriz


Era uma meretriz na estrada
Ataviada, bonita, perfumada.
Tu me acenaste com um saquinho de moedas.
Negócio aceito, compraste meu corpo
Na estalagem de luxo
Deitei-me nua sobre teu corpo lindo de homem.
Com sede, chupei ávida teu membro
Como nenhuma mulher antes te fez.
Cavalguei teu penis como uma amazona sobre um corcel
Rebolados violentos de meretriz
Cadela!!!! Tu gritaste.
Cadela não, loba !!!! no cio
Para te devorar - sou loba
Meretriz, com sede de suor e esperma.
Tu me penetras com teu membro
Eu te penetro com meu olhar
Tenho agora minhas garras em ti.
Tu compraste meu corpo, mas eu roubei tua alma.
Tenta fugir - porta fechada, chave perdida!
Escravo meu agora tu és - do sexo !!!
Não viste com quem te meteste?
Com Padilha, a rainha pomba-gira! Logo com quem!
Só Deus pode agora te libertar, mas Ele não quer - e nem tu mesmo queres.
Tua mulher loba te devora todo, meu homem-animal.
Meu corpo suga até a última gota do teu esperma
E se banha no orvalho do teu suor
O dia amanhece e adormecemos abraçados - nús
Cansados de tanto gozar.







“Comecei a achar a religião de insuportável melancolia. Morte certa, hora incerta, inferno para sempre, juízo rigoroso; nada mais negro!
(...)
Soavam-me ainda aos ouvidos as prédicas de ascetismo do Barreto. Para ele o mal era fêmea. O Sanches entendia que era macho. Amarrava-lhe um rabo ao cóccix e criava o Satanás bilontra, imoral e alegre. A cauda do demônio do Barreto era de rendas. Na Rua do Ouvidor, faria o Satanás – fanfreluche. Uma coisa horrível, com dois olhos, destinados a perdição dos homens. Saia digna de consideração, só a de padre, que, por sinal, é batina, não é saia. O mais não passava de pretexto da moda parisiense para disfarçar o pé de cabra. Cuidado com Satanás sorriso! um sorriso com duas pernas, um abraço com dois seios, uma pantomima do inferno, faceira, traidora, graciosa e comburente... O menor descuido, desgraça eterna!
Contou-me que o porteiro do seminário em que estivera, para não ser demitido, fora intimado a separar-se da própria irmã. Deus, para vir ao mundo, tinha severamente elaborado o mistério excepcional de uma virgindade sem mancha. E, se não fossem as profecias, que não podiam ficar comprometidas, o veículo a Conceição, por amor da insexual pureza, teria sido o carapina José, ou mesmo o velho Zacarias, ainda mais respeitável pela calva.
A teologia do Barreto me calara fundo, e eu resolvera piedoso enxotar quanta imagem de sorriso viesse pousar-me à idéia. Virando a página dos fervores, a teoria ficou-me de resto, do Satanás feminino.”
(O Ateneu – cap. 05 de Raul Pompéia)

sábado, 11 de julho de 2009

Um poema da amiga Eclípse

Desejos

Dedilhando teus dedos passeiam em meus seios...
tocando-os eriçando-os...
passeiam pela minha vagina...
tocando meu clitóris....entumecendo-o...

Teus lábios abocanham meus seios...
mordiscando os bicos..quentes de desejo...
abocanham meus montes...
vales...esconderijos....

Teu corpo sobre o meu
Me segura...me abro inteira
Você me preenche com tesão...
Sinto seu penis em pulsação...

Estocadas intensas...
Só consigo gemer...
Quase não posso respirar
Mas imploro para não parar.

Fico de quatro...
Enquanto seguras minhas ancas
Me tome como macho
Pois sou tua femea no cio...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Carta de Heloísa para Abelardo

"Eu, infeliz e aflita entre todas as mulheres, tu levantaste-me ainda mais alto só para aumentar a minha dor na queda. Enquanto entregávamo-nos aos prazeres da luxúria, Deus fingiu não estar vendo, mais depois castigou-nos; e nem mesmo o nosso casamento abrandou a Sua cólera. O malígno sabe até bem demais como usar uma mulher para arruinar um homem. Éramos dois, a pecar, mas só tu tiveste que pagar. Agora eu também sofro. Por tempo demais entreguei-me aos prazeres da carne e este é o justo castigo. Persegue-me a lembrança. Até durante a missa, quando a oração deveria fazer-me sentir mais pura, as lembranças atormentam a minha mente, e em lugar de arrepender-me, tenho saudade daquilo que perdi. As pessoas louvam a minha castidade só porque não sabem que no fundo não passo de uma hipócrita. A minha abilidade em fingir consegue enganá-las, mas eu não me curei: penso em ti, te amo, te quero, te desejo, como antes, mais do que antes."

Heloísa e Abelardo, separados pela castração. Ela tornou-se freira, ele, monge.
Mas eis que a igreja medieval resurge, sai dos porões e invade nossos sítios na tentativa de nos castrar novamente. Não devemos permitir que façam tal coisa.
Sexo é alegria e vida. E prossegue no além !!!!!!!!!!!!